Maiara Ribeiro 21 de setembro de 2018 
Revisado em 25 de abril de 2019

fonte: Dr. Dráuzio Varela

Existem três estágios principais: inicial, moderado e avançado. A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) destaca que o papel dos cuidadores no estágio inicial inclui lidar com impacto e aceitação do diagnóstico, decidir sobre a revelação ou não desse diagnóstico, procurar saber mais sobre a doença e os sintomas e decidir sobre os tratamentos; na moderada, também é preciso garantir a segurança física, emocional e financeira do paciente, considerar a necessidade de um cuidador em tempo integral e estabelecer novas formas de relacionamento; na fase avançada, acrescenta-se oferecer cuidados intensivos e constantes e buscar alternativas de comunicação, interação e manifestação de afeto.

PERDA DE MEMÓRIA

A perda de memória é uma das principais características da doença. Com o passar do tempo, o idoso esquece acontecimentos importantes da sua vida e de pessoas próximas. Às vezes, não se recorda da morte de algum parente e pergunta sobre ele normalmente, como se ainda estivesse vivo. Nesses casos, a família pode não saber como agir: afinal, é melhor contar a verdade ou evitar o assunto?

De acordo com a dra. Roberta Saba, neurologista e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a decisão deve levar em conta o grau de comprometimento cognitivo e de memória. “Se for na fase inicial, quando há falhas de memória mas os pacientes ainda se mantêm independentes para as atividades diárias, a verdade pode ser dita e tenta-se, junto dele, recordar como o fato ocorreu, mesmo que seja o falecimento de um ente querido”, explica.

Quem tem Alzheimer muitas vezes cria algumas histórias cotidianas que não ocorreram, mas que para ele são reais. Nesses casos, é mais indicado concordar em vez de criar ansiedade negando as histórias. Esse tipo de atitude só gera mais conflito e insegurança

Ao se decidir contar a verdade, é importante observar como é a reação à notícia. Há aqueles que acabam se lembrando do acontecido e reagem tranquilamente, mas também há os que reagem com grande tristeza e sofrem muito ao saber dos fatos novamente. “Se há situação de estresse, agitação ou preocupação com a notícia repetida, é melhor não insistir e inclusive evitar o assunto em outras ocasiões”, indica a dra. Maramélia Miranda, neurologista do Hospital São Luiz Morumbi.

A ideia é mais ou menos pesar o custo-benefício: vale a pena contar a verdade se ela causa tanto estresse ou tristeza? Claro que não é tarefa fácil, mas não há um manual que ensine exatamente como lidar com a questão. Existem até situações nas quais o paciente nega o falecimento em questão, pois tem certeza de que o ente querido está vivo. Segundo a neurologista, o melhor é não confrontá-lo, evitando maior sofrimento. “Quem tem Alzheimer muitas vezes cria algumas histórias cotidianas que não ocorreram, mas que para ele são reais. Nesses casos, é mais indicado concordar em vez de criar ansiedade negando as histórias. Esse tipo de atitude só gera mais conflito e insegurança”, recomenda a dra. Saba.

Como lidar com pacientes de Alzheimer
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