Pessoas com sobrepeso ou obesidade com frequência possuem problemas na mastigação. A diminuição do tempo mastigatório e falta de força necessária para uma adequada trituração dos alimentos – devido a alterações na musculatura oral -, são achados constantes nesse grupo de pacientes. Em ambos os casos, o paciente mastiga, porém não realiza uma trituração adequada do alimento, fator que pode dificultar sua digestão.

Quando um paciente obeso mórbido opta em realizar a cirurgia bariátrica, esses aspectos devem ser levados em consideração nas avaliações pré-operatórias realizadas pelo cirurgião responsável, já que o fato de não mastigar bem pode significar mais dificuldade de adaptação à cirurgia. Isso porque pacientes que não conseguem realizar uma mastigação eficiente e são submetidos à cirurgia podem ter episódios de “engasgos”, justamente pela trituração reduzida dos alimentos, fazendo com que o bolo alimentar chegue ao estômago quase que da mesma forma que estava na cavidade oral.

Cabe ao fonoaudiólogo avaliar e orientar as possíveis dificuldades relacionadas à deglutição, fonação e mastigação

A atuação do fonoaudiólogo como um dos componentes da equipe multidisciplinar pré-operatória vem sendo paulatinamente incorporada, justamente porque as avaliações e orientações desse profissional ajudam a evitar episódios de vômitos, refluxos e engasgos, dando mais segurança ao paciente. Após a cirurgia bariátrica, é sabido que a maioria desses pacientes precisa reaprender a mastigar.

Com os exercícios para a musculatura indicados por um fonoaudiólogo, não só as questões funcionais são melhoradas, mas também o fator estético, uma vez que a cirurgia causa flacidez muscular de corpo e de face – esse último podendo ser reduzido com a prática de exercícios motricidade oral. Além disso, o fonoaudiólogo pode reverter as alterações vocais que acontecem nos operados em decorrência de refluxos gástricos, problema esse que compromete o desempenho de atividades profissionais no pós-cirúrgico.

Após a redução de estômago, obrigatoriamente, haverá uma mudança de comportamento alimentar, pois os alimentos serão ingeridos em pequena quantidade e precisarão ser bem mastigados. O médico Gabriel de Vargas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica – Capítulo Rio Grande do Sul, afirma que conta com a presença do fonoaudiólogo na equipe de reabilitação. Segundo ele, há uma diferença muito importante na adaptação aos alimentos sólidos, principalmente a carne vermelha ele acompanha pacientes operados que não comiam carne há mais de três anos, e que após acompanhamento com a fonoaudióloga passaram a se alimentar normalmente. De acordo com Gabriel, o atendimento do fonoaudiólogo é indispensável no pré e pós-operatório.

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