Cientistas brasileiros descobriram que o vírus da zika que assustou tanto o Brasil pode se tornar um aliado importante no tratamento de alguns tipos de câncer.

Foi depois de estudar os danos causados pelo vírus da zika nos cérebros de bebês que nasceram com microcefalia que os cientistas tiveram a inspiração para a nova pesquisa.   

“Se o vírus tem afinidade para células-tronco normais do cérebro, será que ele tem afinidade para células tumorais que têm essa aparência de céLula-tronco neural? Foi daí que surgiu a ideia, conta a bióloga e geneticista Carolini Kaid.

Os primeiros resultados verificados ainda em lâminas no laboratório mostraram que em três dias o vírus da zika destruiu as células dos tumores observados. Era o vírus dessa vez agindo para o bem.

As imagens em vermelho mostram a destruição que o vírus provocou dentro uma céLula de câncer.

O próximo passo dos pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma da USP, do Instituto Butantã, do Laboratório Nacional de Biociências e da Universidade Federal de São Paulo foi aplicar o vírus da zika em camundongos com tumores agressivos do sistema nervoso central.

E as imagens mostram que o câncer no cérebro dos animais e até as metástases na coluna foram diminuindo rapidamente.

“Em cinco semanas tem uma remissão total do tumor. Essas são as imagens mais impressionantes que a gente teve, o que nos animou bastante”, diz Carolini.

Os pesquisadores compararam também o tempo de vida de cobaias tratadas com o vírus da zika sob controle com outras que não receberam nada. 

“Houve uma melhora significativa do tempo de sobrevida desses animais. Então, esse é um resultado que demonstra que o vírus da zika tem de fato uma ação muito potente, uma ação antitumoral muito potente”, explicou Oswaldo Okamoto, professor de genética e biologia evolutiva da USP.

Os resultados do trabalho foram publicados nesta quinta-feira (26) na revista da Associação Americana de Pesquisa sobre Câncer.

Os cientistas brasileiros esperam agora avançar e em breve testar a ação do zika em pacientes com câncer do sistema nervoso central que não respondem aos tratamentos convencionais.

“Nós estamos extremamente empolgados, cada camundongo onde a gente viu desaparecer o tumor, todo mundo vibrava aqui. Acho que a maior alegria, maior vibração que a gente vai ter vai ser ver um tumor desaparecendo num paciente”, disse a coordenadora do centro de pesquisa em genoma humano, Mayana Zats.

leia mais direto da fonte: JORNAL NACIONAL

Vírus da zika pode ajudar a tratar alguns tipos de câncer
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